Audiência proposta por Protógenes leva Comissão a investigar terceirização da PF
Representantes dos servidores concursados da Polícia Federal (PF) confirmaram, na Câmara dos Deputados, a terceirização de funções estratégicas para o Estado, como o serviço de emissão de passaporte. A medida foi adotada para atender ao aumento do fluxo de passageiros nos aeroportos, durante o Governo do ex-presidente Lula, mas é mantida até hoje. O presidente do Sindicato dos Servidores da Polícia Federal no Rio de Janeiro (SSDPF-RJ), Telmo Corrêa, afirmou ser o processo “ilegal” e favorecedor da corrupção, mas que, na sua avaliação, nada deve mudar no curto prazo.
De acordo com os sindicalistas, a PF tem em seu quadro 4.539 terceirizados, vinculados a 179 empresas, que geram um gasto mensal de quase R$ 10 milhões aos cofres públicos. Deste total, quase 10% dos trabalhadores estaria atuando diretamente no controle de imigração nos aeroportos, que é uma atividade com poder de polícia e restrita aos servidores de carreira.
A presidente do Sindicato Nacional dos Servidores do Plano Especial de Cargos da Polícia Federal, Leilane de Oliveira, contou que, no Maranhão, uma terceirizada foi afastada de suas atividades após receber suborno para emitir passaporte a um procurado pela Justiça; em Jales (SP), a recepção de armas da campanha do desarmamento é controlada por um digitador; e em Porto Alegre (RS), terceirizados comandaram, em 2008, um esquema de desvio de armas entregues na campanha nacional de desarmamento.
Com a audiência pública, requerida pelo deputado federal Delegado Protógenes (PCdoB-SP), a Comissão de Segurança Pública da Câmara dos Deputados decidiu investigar a terceirização nos aeroportos. Os deputados não descartaram até a criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), caso a Polícia Federal não contribua no trabalho.

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