MAIS UMA ESTRELA NO CÉU
Antonio Olinto era Obá de Xangô no Candomblé
Fonte: Terra Magazine - Claudio Leal

Morto neste sábado, no Rio de Janeiro, aos 90 anos, o escritor Antonio Olinto manteve vinculações profundas com o Candomblé baiano - talvez seja o último remanescente do grupo de artistas e intelectuais que incluía Jorge Amado, Dorival Caymmi, Carybé, astutamente incorporados ao Ilê Axé Opô Afonjá, em Salvador, por mãe Senhora (a ialorixá saudada por Vinicius de Moraes no “Samba da Bênção”).
Membro da Academia Brasileira de Letras, Antonio Olinto era também o mais velho Obá de Xangô do terreiro hoje liderado por mãe Stella de Oxóssi. No posto civil mais alto do Candomblé, ele tinha como confrades o compositor Gilberto Gil, o antropólogo Vivaldo Costa Lima e o professor Muniz Sodré. “Esses ministros eram antigos reis, príncipes ou governantes dos territórios conquistados por Xangô no país de Yôrubá”, explica o historiador Edison Carneiro em Candomblés da Bahia.
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Em 2008, após a morte de Dorival Caymmi, Olinto concedeu uma entrevista a Terra Magazine sobre suas vivências nos terreiros baianos. Lembrou-se de sua amizade com pai Agenor Miranda Rocha (1907-2004), sacerdote e professor no Rio de Janeiro.
- … a Mãe Senhora era uma sábia. Muito inteligente, naquela inteligência natural do povo. E também foi aprendendo. Ela fazia uns discursos bem bons. Sabia falar. E preparou a menina, né? A Stella, que foi filha dela em tudo. Ela morreu e não foi ainda Stella, foi Ondina. Depois dela, todos nós nos reunimos e o Agenor foi jogar os búzios. Ela foi preparada por Senhora para isso.
Nesta entrevista, Olinto contou seu projeto de preservar as obras de arte reunidas em viagens à África, vasto acervo compartilhado com a esposa Zora Seljan.
- Temos aqui 200 esculturas africanas de madeira no meu apartamento. Nós fizemos uma exposição no Sesc do Flamengo e no Sesc de Madureira. Com a morte da Zora, eu fiz um instituto cultural Antonio Olinto, que foi aprovado pelo governo, e eu pretendo doar tudo isso para o instituto. Tenho 16 mil livros, mais essas 200 esculturas, pintura… não tem mais lugar pra pintura. Caixas e caixas com pinturas guardadas. Seria o Instituto Antonio Olinto com o museu Zora Seljan de Arte Africana.
Zora Seljan foi a primeira esposa do cronista Rubem Braga. E Olinto jamais se livraria de uma frase viperina do velho Braga: “Ela melhorou de marido, mas piorou muito de estilo”.

Deus dá a vida a seus filhos nesta terra e uma missão.E pessoas boas e cumpridoras de suas missões são dignas do amor de Deus e são levadas até ao Pai em sua infinita misericórdia. Estrelas de luz a nos orientar como anjos aqui na terra e tb depois no lar celeste. Senhor Jesus, Maria Santíssima, Mãe de Misericórdia, acolham nosso irmão Antonio Olinto e o levem para o descanso eterno e as bençãos divinas. Paz, justiça e amor.
bjkas da Vivi
Protógenes, Parabéns, linda homenagem.
Caramba! Ele era filho do Agenor Miranda Rocha?
Que triste saber dessa perda…mas onde quer que esteja, vai adorar ler mensagens como essa, demonstrando o carinho que recebia.
Beijos e boa semana!
Bianca
[...] Antonio Olinto manteve vinculações profundas com o Candomblé baiano – talvez seja o últim ler mais [...]
Gostei da postagem, pus no meu blog
http://www.josecarloslima72.blogspot.com
Ilustre carioca de Ubá, Antonio Olinto contribui na para divulgar nossa cultura, nossa literatura e nossa gente em todos os cantos do mundo. Ensinou as pessoas a respeitar as verdades, defensor da natureza.E sendo Obá de Xangô devia odiar injustiças.Escrita abençoada. Recomendo a leitura de A Casa de Água e O Rei de Keto.
Ilustre carioca de Ubá, Antonio Olinto contribui na para divulgar nossa cultura, nossa literatura e nossa gente em todos os cantos do mundo. Ensinou as pessoas a respeitar as verdades, defensor da natureza.E sendo Obá de Xangô devia odiar injustiças.Escrita abençoada. Recomendo a leitura de A Casa de Água e O Rei de Keto.
Sobre o final dessa matéria:
Hoje, primeiro aniversário de Antonio sem ele, posso dizer com tranquilidade que ele já se livrou daquela frase.
Daniel Braga, neto dos três