Após o tremor, ai de ti, pobre e devastado país chamado HAITI

 

 

Professor Ubiratan Castro analisa situação do Haiti.
Foto: Marco Aurélio Martins | AG. A TARDE

Ubiratan Castro

 

O mundo ficou estarrecido com o terremoto que destruiu Porto Príncipe. Os terremotos não têm qualquer relação com os regimes políticos, com características socioculturais ou mesmo com os credos religiosos praticados pelos povos.

 

Os movimentos das placas tectônicas provocam terremotos na Itália, nos EUA e no Haiti. No entanto, no Haiti, o país mais pobre das Américas, os efeitos são devastadores.

 

Conheci o Haiti por sua história de luta contra a escravidão de africanos e seus descendentes. Com o nome de São Domingos foi a mais importante colônia francesa, maior produtora de açúcar das Américas no século XVIII.

 

Em uma superfície comparável ao Recôncavo baiano, os colonizadores apinharam mais de 500 mil escravos, em sua maioria africanos.

 

A violência da escravidão desencadeou uma resistência escrava, que antecedeu a grande revolução negra, a partir de 1789, com a eclosão da Revolução Francesa, até 1804, data da Independência nacional haitiana.

 

Foi a única revolução escrava vitoriosa nas Américas. A escravidão foi erradicada, os senhores foram expulsos ou mortos, as terras e engenhos distribuídos com os trabalhadores e proclamou-se a república dos africanos e seus descendentes.

 

O nacionalismo negro foi consagrado na constituição do país. Ainda hoje, na linguagem coloquial, o tratamento de neg (negro) é sinônimo de cidadão.

 

A república negra do Haiti foi considerada o grande perigo para a escravidão imperante nas Américas. Estabeleceu-se um rigoroso cordão sanitário em torno daquela meia-ilha, de modo a impedir a propagação da revolução escrava em outros países.

 

Longe de Deus e perto dos EUA, como dizem os mexicanos, o Haiti foi vítima de várias invasões militares americanas. A mais longa durou de 1915 a 1934, quando os EUA sequestraram as rendas da alfândega haitiana a título de pagamento da dívida externa.

 

A mais recente intervenção foi o apoio ao deposto presidente Aristides, que seguiu ao pé da letra as lições americanas sobre o Estado mínimo. Ele praticamente destruiu o Estado haitiano, suprimindo serviços de saúde, obras públicas e, sobretudo, extinguindo o exército nacional. Oficiais e praças foram mandados para casa, sem salários e com as armas na mão. O resultado foi a formação de bandos paramilitares.

 

Estive no Haiti em quatro missões oficiais. Algumas evidências foram muito fortes para mim. A primeira foi a miséria mais generalizada e mais aguda, sem referência comparativa com qualquer favela brasileira ou musseque africano.

 

A segunda foi a insuficiência grave de serviços públicos básicos. A terceira foi a atuação do Exército Brasileiro no comando da força de paz da ONU, um exemplo de respeito aos direitos humanos.

 

Constatei também o valor do povo haitiano. Apesar da pobreza, vi um povo trabalhador, orgulhoso de sua negritude e de sua história revolucionária, a sua afeição pelo Brasil e a esperança com a pacificação comandada pela ONU.

 
Ubiratan Castro é doutor em história e presidente da Fundação Pedro Calmon

 

 

Comentários

  1. janeiro 22nd, 2010 | 13:57

    Caros amigos,este terremoto não é uma catástrofe natural, nem as chuvas e secas no Brasil o são. É o H.A.A.R.P., uma arma de guerra que propiciou todo este cenário para a ocupação militar. Haiti será o quartel general para “demolição” dos bolivarianos e exemplo para os demais senzalados da América Latina, seu quintal Monroe. Thomas Jefferson em 1804 advertiu que a liberdade dos Escravos no Haiti foi um mau exemplo. “Dizia que era necessário” confinar a peste naquela ilha.
    A agenda da NOVA ORDEM MUNDIAL ESCRAVAGISTA ANGLO AMERICANA NAZI SIONISTA para implantação do 4º Reich segue acelerada e encoberta pela midiotização massiva de sua total propriedade.
    Sou grato

  2. janeiro 23rd, 2010 | 10:34

    [...] Após o tremor, ai de ti, pobre e devastado país chamado HAITI janeiro 23rd, 2010 (2 seconds ago)     Professor Ubiratan Castro analisa situação do Haiti. Foto: Marco Aurélio Martins | AG. A TARDE [...]

  3. Luciana
    janeiro 24th, 2010 | 23:31

    A demora na distribuição de alimentos, socorro médico
    e busca por sobreviventes, me faz pensar em projeto político de destruição para que alguns poucos se beneficiem da reconstrução, talvez já não mais para os haitinianos. O homem com o passar dos tempos vai ficandoa mais cruel e segregacionista.Cuida dos que são do seu grupo e explora os demais.
    O Haiti foi empobrecido, pela comunidade internacional.

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