Zilda Arns: plantio de esperança.

 

Diante da catástrofe que vitimou cerca de cem mil pessoas no Haiti, entre as quais a fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns, não poderia deixar de me manifestar. Quando soube que a Dra. Zilda estava entre as vítimas fatais do terremoto que arrasou o Haiti – ela estava em missão humanitária naquele país e, como sempre, estimulando voluntários para assistência a crianças, adolescentes e gestantes em situação de risco – fiquei paralisado, tinha e tenho grande apreço pelo seu brilhante trabalho em favor das crianças pobres.

Milhares de vidas salvas, milhões de pessoas diretamente beneficiadas e o País inteiro tocado por um exemplo de integridade, dedicação e eficácia na luta pela promoção social dos mais desassistidos. Assim podemos resumir o legado de Zilda Arns, que também deve ser reconhecida como a pessoa que mais contribuiu para a redução da mortalidade e da desnutrição infantil na história do Brasil - com um trabalho tão bem planejado e realizado que foi exportado para vários outros países. Deixo com vocês a sensibilidade deste baiano genial, Caetano Veloso:

 

 

Haiti

Caetano Veloso

Composição: Caetano Veloso e Gilberto Gil

 

Quando você for convidado pra subir no adro
Da fundação casa de Jorge Amado
Pra ver do alto a fila de soldados, quase todos pretos
Dando porrada na nuca de malandros pretos
De ladrões mulatos e outros quase brancos
Tratados como pretos
Só pra mostrar aos outros quase pretos
(E são quase todos pretos)
E aos quase brancos pobres como pretos
Como é que pretos, pobres e mulatos
E quase brancos quase pretos de tão pobres são tratados
E não importa se os olhos do mundo inteiro
Possam estar por um momento voltados para o largo
Onde os escravos eram castigados
E hoje um batuque um batuque
Com a pureza de meninos uniformizados de escola secundária
Em dia de parada
E a grandeza épica de um povo em formação
Nos atrai, nos deslumbra e estimula
Não importa nada:
Nem o traço do sobrado
Nem a lente do fantástico,
Nem o disco de Paul Simon
Ninguém, ninguém é cidadão
Se você for a festa do pelô, e se você não for
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui
E na TV se você vir um deputado em pânico mal dissimulado
Diante de qualquer, mas qualquer mesmo, qualquer, qualquer
Plano de educação que pareça fácil
Que pareça fácil e rápido
E vá representar uma ameaça de democratização
Do ensino do primeiro grau
E se esse mesmo deputado defender a adoção da pena capital
E o venerável cardeal disser que vê tanto espírito no feto
E nenhum no marginal
E se, ao furar o sinal, o velho sinal vermelho habitual
Notar um homem mijando na esquina da rua sobre um saco
Brilhante de lixo do Leblon
E quando ouvir o silêncio sorridente de São Paulo
Diante da chacina
111 presos indefesos, mas presos são quase todos pretos
Ou quase pretos, ou quase brancos quase pretos de tão pobres
E pobres são como podres e todos sabem como se tratam os pretos
E quando você for dar uma volta no Caribe
E quando for trepar sem camisinha
E apresentar sua participação inteligente no bloqueio a Cuba
Pense no Haiti, reze pelo Haiti
O Haiti é aqui
O Haiti não é aqui

 

http://www.youtube.com/watch?v=ApqXyzRcIXk

 

 

 

 

Comentários

  1. janeiro 25th, 2010 | 11:24

    [...] Zilda Arns: plantio de esperança. janeiro 24th, 2010   Diante da catástrofe que vitimou cerca de cem mil pessoas no Haiti, entre as quais a fundadora e coordenadora internacional da Pastoral da Criança, Zilda Arns, não poderia deixar de me manifestar. Quando soube que a Dra. Zilda estava entre as vítimas fatais do terremoto que arrasou o Haiti – ela estava em missão humanitária naquele país [...] ler mais Salvar/Compartilhar [...]

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