Rádio Justiça entrevista Delegado Protógenes

 

O deputado Federal Delegado Protógenes (PCdoB-SP) participou do programa Justiça na Manhã da rádio Justiça, que conversou com o parlamentar sobre o seu Projeto de Lei (PL) 21/2011. A proposta pretende igualar as penas dos crimes de corrupção aos de homicídio qualificado e dá prioridade na tramitação das ações.

ENTREVISTA

Valter Lima – Nós vamos falar agora sobre o Projeto de Lei (PL) 21/2011, apresentado pelo deputado federal Delegado Protógenes (PCdoB-SP). A proposta altera o Código de Processo Penal e o Código Penal prevendo até 30 anos de cadeia para o administrador que desviar dinheiro público. Deputado bom dia!

Dep. Delegado Protógenes – Bom dia a você, à produção do programa e aos ouvintes da rádio Justiça.
Valter – Deputado! O projeto que o senhor apresentou pretende igualar a pena para os crimes de peculato, corrupção passiva e corrupção ativa à pena de homicídio qualificado que é de doze a trinta anos de prisão. Já tivemos algum administrador público condenado à prisão?
 
Protógenes – Não! Nenhum deles cumpriu pena, pois foram absolvidos ou beneficiados pela prescrição. E o PL 21/2011, que eu apresentei logo que tomei posse, é um dos instrumentos do Plano de Combate à Corrupção que pretendo implementar na Câmara dos Deputados. Eu vou dedicar este mandato para criar instrumentos eficazes que contenham o avanço da corrupção e o desvio de dinheiro público.
 
Uma das ações iniciais é levar os crimes de corrupção a ter o tratamento igual aos crimes contra a vida. Quem desvia dinheiro de merenda escolar e de remédio tem que ter uma pena equivalente à de quem tira a vida de um desafeto. Este administrador deveria até ser penalizado com mais gravidade, porque o crime de corrupção tira a vida de várias pessoas e principalmente de crianças.
 
Qual a diferença de um prefeito, administrador ou ministro de estado que desvia dinheiro de merenda escolar e leva crianças à inanição de uma pessoa que tira a vida de outra? Quantos males este administrador público faz numa cidade de 5 mil habitantes? O Brasil precisa de leis mais rigorosas que responsabilizem os corruptos e que faça os administradores pensarem 2 vezes antes de colocar a mão em dinheiro público. Se fizermos um senso nas cadeias e penitenciárias do país, vamos perceber que aqueles presos por corrupção são criminosos comuns, vítimas do próprio sistema.
 
O PL 21/2011 foi muito bem recebido entre os deputados e está alinhado à política pública da presidente da República Dilma Rousseff, que em sua mensagem presidencial, ao Congresso Nacional, disse que iria combater com firmeza a corrupção. Além de elevar a pena dos crimes de corrupção a proposta cria um processo diferenciado na tramitação destas ações que terão preferência anti a outros casos que estão no judiciário.  Outro ponto importante é que o juiz irá considerar a extensão dos danos causados para elevar a pena base.
 
Valter – Deputado Protógenes, a proposta do senhor procura fechar as brechas na legislação que possibilitam bons advogados a beneficiarem seus clientes burlando ou postergando decisões judiciais indefinidamente?
 
Protógenes – Com certeza! Elevando a pena para 30 anos o prazo de prescrição aumenta para 20 anos, tempo suficiente para se julgar uma ação. Enquanto a reforma do Código Processual Penal não for votado no Congresso Nacional, o meu projeto cria uma segurança maior ao elevar também o prazo prescricional. Eu considero que o meu projeto será aprovado na Câmara dos Deputados, porque quem for contra ele estará votando contra o Brasil, contra o povo brasileiro. É insustentável nós considerarmos que, segundo estudo da Fiesp, no ano de 2010 a corrupção em todo o país custou R$ 69 bilhões de reais.
 
Mesmo com os avanços obtidos no governo do ex-presidente da República Luiz Inácio Lula da Silva, com o fortalecimento da Polícia Federal e da Controladoria Geral da República (CGU), nós estamos muito aquém no que se diz respeito ao combate rigoroso à corrupção. Este projeto vai levar um senso maior de responsabilidade até mesmo do judiciário por causa da mudança na tramitação. O artigo 17 do Código de Processo Penal passa a incluir o seguinte parágrafo:
 
“Terão prioridade de realização todos os atos e
diligências nos processos e procedimentos judiciais e
administrativos, em qualquer instância, destinados a
apurar a prática de ato de improbidade.” (NR)
 
Isto significa dizer que a tramitação destes processos será equivalente às ordens de habeas corpus e à concessão de mandado de segurança. A mudança vai dar ao povo brasileiro a segurança de que a corrupção não cairá nas calendas da impunidade e no anacronismo dos recursos processuais brasileiros.

Comentários

  1. alirio
    março 5th, 2011 | 15:33

    Delegado Protógenes, meus parabéns! Vou acompanhar a tramitação do projeto.
    Sou servidor do Judiciário e fico indignado com o que ocorre: Favorecimento dos poderosos, falta de pessoal qualificado, legislação caduca e omissão legislativa.
    Por mais que nos dediquemos ao trabalho, não conseguimos por em dia as tarefas. Todas as ações de improbidade administrativa prescrevem. Isso não pode continuar!

  2. Allan
    março 15th, 2011 | 17:52

    Espero que a intenção do deputado seja realmente o que texto inspira. Afinal, nosso país é extremamente carente de políticos com ideais que não benificie apenas seu patrimônio pessoal.

Deixe um comentário