Bandidos armados até os dentes
Protógenes Queiroz - Em 2003, a população brasileira perdeu o direito de se defender do estado paralelo comandado por bandidos que chefiam organizações criminosas com acesso a armas usadas até em conflitos envolvendo nações em guerra. O estatuto do desarmamento entrou em vigor no país naquele ano, impingindo ao cidadão comum uma série de restrições. Enquanto os morros cariocas revelaram, por meio das instalações de UPPs (Unidade de Polícia Pacificadora), ainda em fase de teste, que as organizações criminosas que controlam o tráfico de drogas no estado fluminense contam com fuzis AR-15 e bazucas em seu arsenal, policiais cariocas em treinamento para assumir a UPP do Complexo do Alemão realizaram cursos em que dispararam apenas 21% do total de tiros exigidos oficialmente. A informação revelada pela imprensa partiu de fontes de dentro da PM, através de denúncias anônimas, enquanto a criminalidade armada e feroz se refestelava em festas nas comunidades, exibindo o brilho das armas de grosso calibre nas mães.
Em fevereiro de 2012, os bombeiros e policiais militares cariocas entraram em greve por melhores condições de trabalho. O resultado? Os líderes do movimento legitimado pela nossa Constituição acabaram presos em presídios de segurança máxima como criminosos comuns. E apenas no primeiro bimestre deste ano, a Secretaria de Segurança Pública de São Paulo revelou que o número de latrocínios aumentou mais de 36% em relação ao mesmo período do ano passado.
A restrição aos direitos do cidadão amarga a carência por um debate mais profundo, calcado na realidade de um país banhado no sangue de famílias que se desagregam nos disparos proferidos por armas clandestinas. Trata-se de uma disputa desigual, que carece de embasamento teórico e mascara a realidade de que nossa segurança pública é falha, que o combate ao tráfico de armas é falho e que o desamparo do Estado destrói a vida de milhares de cidadãos sem direito à defesa.
Via Diário de São Paulo
